... Então o tempo passou. A barriga cresceu e no ano de 1994 aconteceram muitras coisas chatas que fizeram com que eu ficasse com medo de parir antes do tempo. Na última consulta ao médico obstetra então resolvi marcar a cesárea temendo que algo mais acontecesse. Escolhi então o dia 23 de junho. Uma data linda! Que já estava na minha cabeça. Como de praxe fiquei em São Paulo antes da data da operação. Gabriela, a babá, o pai e eu nos instalamos na casa da Dona Dolores. Gabriela estava gripada e manhosa demais.
No dia então fomos para o Hospital São Luís, passei pelos procedimentos de praxe. Eu estava nervosa como se fosse a primeira vez! Lá ao abrirem a minha barriga, fiquei ansiosa demais, pois senti que estava demorando para o bebê nascer. O doutor Osvaldo mexia e mexia dentro de mim. Dona Manoela estava tão acolhidinha e quietinha lá dentro que não queria sair. ele então pediu para a enfermeira fazer força bem no meu estômago, empurrando bastante para ajudar a bebê sair. Empurra daqui, empurra dali... nasceu. Apgar: 10, of course. Rosadinha, aliás branquinha, saudável!!!
Não lembro se chorou, pois desde este dia ela se mostrou tranquila, quieta, preguiçoso, um docinho!!!!
Quando me trouxeram ela para eu dar um beijo, já exclamei:
- Que branquinha! Ai, que linda! Do jeito que eu tinha pedido a Deus!
No primeira vez que trouxeram ela para o quarto eu estava muito ansiosa. já tinha visitas por lá e eu não sabia como fazer para driblar a manha da Gabriela. Trouxeram-na. Ela entrou no quarto dormindo e saiu dormindo. Muito branquinha, cabelos loiros ao redor da face. Um anjinho. Não mamou muito e a enfermeira do hospital tentou me passar as instruções de aleitamento. Disse que não precisa pois já tinha tido uma outra filha e apontei a Gabi.
Torci para Manoela não pegar icterícia porque mais que nunca eu queria ir logo embora para casa. Aliás, não era a nossa casa, mas sim um apartamento alugado porque a casa estava reformando. Coitadinha, eu tive pena porque ao chegarmos no apto só tinha o bercinho. O quartinho propriamente dito só iria ser montado quando fossemos para casa. E a decoração era toda de carneirinhos by EUA.
Hoje o quarto dela é laranja? Verde? Hoje ela chora de dor, decepção. Hoje ela bebe leite no copo, come doces, almoça, janta, estuda e faz tudo sozinha! Não precisa mais da mamãe para nada! Hoje ela faz 15 anos. Minha última filha! Minha caçula que cresceu, loira, morena, castanha. Minha caçula que cresceu aprendendo a dividir momentos, roupas, quartos e tempo. Minha caçula que cresceu cantando músicas infantis e hoje canta músicas "do morro", rock e rap. Minha caçula que deixou mamãe feliz demais ao aparecer como um milagre hoje torna-se uma moça real. Está aqui para mostrar ao mundo que veio com convicções e desejos. Minha caçula, que eu amo mais que tudo nesta vida, hoje mostra para mim que algumas atitudes devem ser pensadas e repensadas, pois se a vasectomia não tivesse sido revertida naturalmente onde estaria Manoela?
Te amo pela força de correr, nadar e pular um caminho fechado. Te amo por você ser a pessoa mais inesperada e ao mesmo tempo esperada. Amo sua preguiça, sua sabedoria e sua falta de destreza. Amo seus gritos, seu jeito aflito e seus ritos. Amo sua "lerdeza" infantil, aquela que não pensa em horários, que te deixa à deriva dos acontecimentos. Amo suas atitudes inflamadas, suas brigas. Amo o cabelo liso, a pele branca, o cheiro de "Vevê". rs Amo sua inocência, aquela que te deixa com olhos brilhantes em frente a um doce, a um parque de diversão a um desenho animado. O que eu tenho a te dizer é: te amo, simplesmente pelo fato de você existir e ser minha filha.
Te amo, filhota caçula, Manoela.