Hoje tivemos mais uma peleja.
De leve, mansinho, mas tivemos.
Campeonato Estadual do Interior. O que vale é a classificação para o Campeonato Paulista (ah, o Paulista, tristes e longas histórias!).
Acordamos cedo e rumamos para lá. Elas daquele jeito que eu não conto aqui!
Pesaram, comeram e lutaram, ops, só Manoela lutou porque Gabriela entregou as lutas por causa de uma indisposição. Classificavam 4 meninas portanto ela não precisava lutar. Foi bronze no junior e no senior.
Já Manoela fez duas lutas. Ipon nas duas. Ficou com o ouro na categoria juvenil, junior e senior. Fez barba, cabelo e bigode! Mas mesmo assim fiquei nervosa na segunda luta. Uma mina despirocada que a Manoela não conseguia encaixar nada!!!! Me deu um 5 minutos... mas no final tudo bem!
Bora pro Paulista, Manoela. Devagar e sempre! Ah, o Paulista!
Fotitas do segundo ipon
(Manoela de branco, of course)






That´s all folks.
... Então o tempo passou. A barriga cresceu e no ano de 1994 aconteceram muitras coisas chatas que fizeram com que eu ficasse com medo de parir antes do tempo. Na última consulta ao médico obstetra então resolvi marcar a cesárea temendo que algo mais acontecesse. Escolhi então o dia 23 de junho. Uma data linda! Que já estava na minha cabeça. Como de praxe fiquei em São Paulo antes da data da operação. Gabriela, a babá, o pai e eu nos instalamos na casa da Dona Dolores. Gabriela estava gripada e manhosa demais.
No dia então fomos para o Hospital São Luís, passei pelos procedimentos de praxe. Eu estava nervosa como se fosse a primeira vez! Lá ao abrirem a minha barriga, fiquei ansiosa demais, pois senti que estava demorando para o bebê nascer. O doutor Osvaldo mexia e mexia dentro de mim. Dona Manoela estava tão acolhidinha e quietinha lá dentro que não queria sair. ele então pediu para a enfermeira fazer força bem no meu estômago, empurrando bastante para ajudar a bebê sair. Empurra daqui, empurra dali... nasceu. Apgar: 10, of course. Rosadinha, aliás branquinha, saudável!!!
Não lembro se chorou, pois desde este dia ela se mostrou tranquila, quieta, preguiçoso, um docinho!!!!
Quando me trouxeram ela para eu dar um beijo, já exclamei:
- Que branquinha! Ai, que linda! Do jeito que eu tinha pedido a Deus!
No primeira vez que trouxeram ela para o quarto eu estava muito ansiosa. já tinha visitas por lá e eu não sabia como fazer para driblar a manha da Gabriela. Trouxeram-na. Ela entrou no quarto dormindo e saiu dormindo. Muito branquinha, cabelos loiros ao redor da face. Um anjinho. Não mamou muito e a enfermeira do hospital tentou me passar as instruções de aleitamento. Disse que não precisa pois já tinha tido uma outra filha e apontei a Gabi.
Torci para Manoela não pegar icterícia porque mais que nunca eu queria ir logo embora para casa. Aliás, não era a nossa casa, mas sim um apartamento alugado porque a casa estava reformando. Coitadinha, eu tive pena porque ao chegarmos no apto só tinha o bercinho. O quartinho propriamente dito só iria ser montado quando fossemos para casa. E a decoração era toda de carneirinhos by EUA.
Hoje o quarto dela é laranja? Verde? Hoje ela chora de dor, decepção. Hoje ela bebe leite no copo, come doces, almoça, janta, estuda e faz tudo sozinha! Não precisa mais da mamãe para nada! Hoje ela faz 15 anos. Minha última filha! Minha caçula que cresceu, loira, morena, castanha. Minha caçula que cresceu aprendendo a dividir momentos, roupas, quartos e tempo. Minha caçula que cresceu cantando músicas infantis e hoje canta músicas "do morro", rock e rap. Minha caçula que deixou mamãe feliz demais ao aparecer como um milagre hoje torna-se uma moça real. Está aqui para mostrar ao mundo que veio com convicções e desejos. Minha caçula, que eu amo mais que tudo nesta vida, hoje mostra para mim que algumas atitudes devem ser pensadas e repensadas, pois se a vasectomia não tivesse sido revertida naturalmente onde estaria Manoela?
Te amo pela força de correr, nadar e pular um caminho fechado. Te amo por você ser a pessoa mais inesperada e ao mesmo tempo esperada. Amo sua preguiça, sua sabedoria e sua falta de destreza. Amo seus gritos, seu jeito aflito e seus ritos. Amo sua "lerdeza" infantil, aquela que não pensa em horários, que te deixa à deriva dos acontecimentos. Amo suas atitudes inflamadas, suas brigas. Amo o cabelo liso, a pele branca, o cheiro de "Vevê". rs Amo sua inocência, aquela que te deixa com olhos brilhantes em frente a um doce, a um parque de diversão a um desenho animado. O que eu tenho a te dizer é: te amo, simplesmente pelo fato de você existir e ser minha filha.
Te amo, filhota caçula, Manoela.
A aniversariante de amanha ocupou meu pc hoje, entao o post continua amanha.
Estava perto de meu aniversário e eu sentia tanto enjôo que eu pensava que fosse o bolo, o brigadeiro. Não sabia a causa. Comprei então três testes de farmácia e viajei para o interior. Lá tive a certeza que estava realmente grávida. Depois de mais certezas e a barriga um pouco maior, marcamos uma consulta ao urologista. Chegando lá ele ficou assustado pois não entendeu o porque de eu estar com uma barriga enorme! Heitor contou um pouco a história para ele. O médico ficou assustado pensando que não queríamos mais filhos e que talvez estivéssemos lá para reclamar algo, pois era a segunda vez que "isso" tinha acontecido em toda sua carreira. Algo deu errado (certo). rs
Fiquei na sala de consulta enquanto os dois foram para a sala de exames. O médico perguntava para mim se eu queria mesmo estar ali na hora dele abrir o homem. Eu disse que queria "afinal tenho certeza que ele é o pai porque não tenho um Ricardão", repeti meu mantra em tom de brincadeira. Aliás, pedi para estar na sala de exames mas ele não me deixou porque achou que eu pudesse passar mal.
Começou o exame. Ele falava: "Andréia, estou abrindo a bolsa direita e aqui está tudo certo! Quer continuar por aí?"
"Sim, eu continuo", disse.
Quando ele abriu o outro lado gritou brincando: "Estou abrindo o outro lado, ainda dá tempo de você sair correndo!"
"Eu fico."
Então de lá ele falou que realmente o canal tinha religado naturalmente. Ele ficou besta! É muito difícil acontecer este tipo de "reintegração" e além disso muitos homens gastam um dinheirão para reverter a vasectomia. No caso do Heitor reverteu porque os canais foram amarrados e não cortados. Fiquei tão feliz, não por causa do canal esquerdo, mas porque eu queria muito outra filha (naquele momento já sabíamos que era uma menina) e recebi o milagre de tê-la!
Ele saiu da sala de exames, mas não sem antes refazer a vasectomia (de novo? Queria cinco filhas!!! rs)
Sentamos todos na sala de consulta e lá ele explicou as possibilidades disto acontecer e fez uma pergunta que na hora, no momento, era a única pergunta que ele deveria ter feito:
- Vocês querem esta criança? Vão ficar com ela?
Pensei: ele não entendeu nada!
Em coro falamos:
- Imagina, doutor! Credo. Não é este o caso! Não viemos aqui reclamar nada. Estamos muito felizes. A gente queria muito outra filha, não sei o que deu na nossa cabeça de fazer esta vasectomia! A gente ama ela. A Gabriela está eufórica. Imagina, não daria uma filha minha nunca!!!!
... continua amanhã.
... a história dela é peculiar. Diferente. História que vai ser contada para meus netos, bisnetos e tataranetos. Eu sempre quis ter mais filhas. Umas cinco garotas para mim estava de bom tamanho. Mas como eu não me dava bem com métodos anticoncepcionais, logo após o nascimento de minha primeira filha resolvemos por uma vasectomia. MAs somente como método contraceptivo. Não era uma coisa assim definitiva. Isso era o que pensávamos! Sempre achei que a qualquer momento poderia ser revertida e eu continuasse com minha fábrica de meninas. Então, logo após a operação do pai já no caminho de casa falávamos sobre a possibilidade de termos mais bebês.
O tempo passou e no ano de 1993 comecei a sentir muitos enjôos, dores nas costas e de cabeça. Mas o que mais me irritava eram os enjôos. Apelei para uma consulta em particular com um médico amigo. Conversei, apelei, discuti (porque eu tinha certeza que estava sofrendo da coluna) e no final ele me disse: "Olha, Andréia, tenho mais de 3 décadas de medicina. Neste tempo todo nunca vi ningu´me reclamar de enjôo porque está com problemas na coluna. Vai fazer um exame que você está grávida!".
- Eu, grávida?
Fiquei muito contente, mas a dúvida era maior que a felicidade naquele momento.
Como eu sempre digo ao longo destes 15 anos: como eu poderia estar grávida se Heitor era vasectomizado eu eu nem tinha um "Ricardão"?
Fiquei com aquilo na cabeça. Sò podia ser do "espírito santo". Sou uma nova Virgem Maria. hahahahaha
Corri para a farmácia. Não sem antes ouvir do pai da criança (?) que talvez a vasectomia tivesse sido revertida sozinha.
- What?
... continua amanhã.
P.S.1: Hoje ela vai estar radiante.
P.S.2: Continuo com dor de cabeça.
P.S.3: Ah, as surpresas da vida!!!! For Byanas, Anas, elos e chinelos.
... sentar por 30 km (ou exatos 60 minutos) em cima de uma porção de macarrão para que as filhotas, atletas, comessem um pouquinho de carboidrato pelo menos morninho às 7h da matina.

... chegar no ginásio e guardar a mesma porção entre o corpo, dois casacos e um edredon para mantê-lo ainda morninho. E, depois da pesagem, vê-las comendo quase tudo!

... ficar quase dez horas dentro do mesmo ginásio, passando frio (também fome, salvo um café com pão na chapa), ver elas lutarem e conquistar...
... 3 medalhas de ouro...

... uma medalha de prata e outra de bronze...

... registrar elas felizes junto com as amigas.

P.S.1: Vídeos em breve.
P.S.2: Para os desavisados: Manoela completa 15 anos no dia 23 de junho. A festa? Bom, a festa será outro dia, né, convidados?
P.S.3: Amar é... seguir com este blog para deixar os registros apenas para minhas filhas e para mim.
P.S.4: O blog não é para vocês, seguidores anônimos!
P.S.5: Ah, descobriqueconsigotwittardomeunextel. Quandoelequer,ofcourse!
Sorte de hoje: O silêncio oportuno é mais eloqüente do que o discurso.
"Quem dera me livrar
Pra sempre de mim mesmo!"...
Sorte de hoje: Se você nunca sentiu medo, vergonha ou dor, é porque nunca correu riscos.


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