Por estas horas ela ainda não tinha nascido. Eu ainda não sabia quem estava dentro da minha barriga de mais de 17 quilos. Se ia ser branca, roxa, morena ou amarela. rs Se cabeluda, careca ou tico-tico no fubá. Se ia ser calma, chorona. Se iria ter olhos pretos, castanhos ou azuis (o bisa tinha). Não era nesta hora que eu ia sentir o cheiro, ouvir o choro, ver tudo rodar e chorar de emoção. Ainda não seria nesta hora que eu me espantaria com aquele ser todo vermelho quase roxo que sairia de dentro de mim depois de horas de bolsa rota. Ainda não seria nesta hora que eu ficaria ansiosa em beijar o pezinho rosa e vê-la sumir nos braços das enfermeiras. Ainda não seria por volta desta hora que eu mais me apegaria àquele ser e repetiria: traz ela de novo, quero beijar de novo. E ela não veio. rs Ainda não seria nesta hora que eu voltaria para o quarto sozinha e esperaria mais de quatro horas para revê-la. Ainda não seria nesta hora que eu ficaria toda orgulhosa ao ver entrar porta adentro um pacote rosa, branco e lilás. Não seria nesta hora que espreguiçando-se em meu colo ela viria mamar e mamar e mamar. Ainda não seria nesta hora que eu alisaria os cabelos negros e já sedosos, o pezinho grosso de meia e macacão, a barriguinha, o nariz e ficaria perplexa pelo milagre da vida.
Ela nasceu pela manhã, portanto ainda a esta hora não teria nascido há 17 anos. Mas é agora, que eu esperei passar 2 minutos para ser a primeira a abracá-la com todo o orgulho de uma mãe. É nesta hora que passa um filme concreto de dias e dias sem dormir tamanha as preocupações, sonos rebeldes. É nesta hora que eu me encho de vontade de gritar a todos que ainda não te conhece que você é a minha filha mais velha preferida que cresceu direitinho, bem-educada, amada e centrada nos ideais. É nesta hora que me aflijo com aqueles que te conheceram e não podem mais te ver... que se foram e não apreciaram seu desabrochar. É nesta hora que me angustio com o tempo perdido das pessoas que não vivem sua vida, que não lhe acompanham no caminhar dos estudos, do esporte e agora da vida profissional. Que não sabe dizer como você ri com pequenas coisas da vida. Que chora e reclama a cada minuto de alguma dor. Que vibra com as conquistas de amigos e inimigos, porque diferente de todos você é única.
É nesta hora que sou feliz. A menina cresceu e está aparecendo. Basta alguns dias de convivência mais de perto para ver que sua essência sempre foi e será a mesma. Desde aquela hora que você saiu de dentro de mim até agora você é a mesma pessoa organizada (hummm), personalidade forte, responsável e amorosa. Por que não? Você é pessoa para poucos e bons. Sempre foi e sempre será.
E é nesta hora que a mamãe quer te dizer que estes 17 anos não passaram voando, passaram no tempo que eles precisaram passar. Passaram minuciosos, cautelosos e curiosos. Passaram no momento certo de você crescer para o mundo. Mundo estranho com gente esquisita, mas você estará legal e realizada neles se fizer daqui pra frente aquilo que te deixa feliz. Seja o que for. Confie(o) em você.
Te amo demais, filha.
Que venha os próximos. Estarei ao seu lado.







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