Ele de novo!
Tavam lá jogadas no tuitisdorealwbonner as palavras de um poema: Quero.
Meio incompleto, li e reli e não entendi a brincadeira.
Mas as palavras do poema eu queria decorar e repetir para a vida toda!
Me faz lembrar que devemos ter esta ânsia não somente para o AMOR, mas para TUDO! Para o ar que respiramos, os mais uns dias que vivemos, os momentos poucos e felizes, a feitura de tarefas, a voz, o cheiro que sentimos, o som que ouvimos, as telas do dia a dia que vemos. QUERER!
Quero
Carlos Drummond Andrade
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.